Tenho visto várias pessoas reclamando que não recebem feedback depois de participar de uma entrevista de emprego, então vou contar um caso que aconteceu com uma pessoa que oriento. Vou chama-la de Isabel.

No Laboratório de Currículo sempre falo da importância da apresentação pessoal numa entrevista. Oriento a realizar uma pesquisa sobre a empresa e na dúvida opte pelo mais formal, ou seja, calça e camisa social para homens e vestido, saia ou calça e blusa para mulheres. Nada muito estampado, justo ou decotado, bijuteria e esmalte discreto e maquiagem sem exageros. Bom, vamos lá para o caso que me levou a escrever este artigo. Isabel foi selecionada para participar de uma dinâmica de grupo numa empresa conhecida no mercado. Após a dinâmica o recrutador falou na frente de todos quem iria para a próxima etapa que era uma entrevista individual. A Isabel passou e ficou super feliz. No dia da tal entrevista percebeu a presença de uma candidata que tinha sido eliminada no dia da dinâmica de grupo. Isabel fez a entrevista e a recrutadora falou que se ela esperasse até o final daria um feedback. Isso é o que todo mundo quer, não é? Ter o famoso feedback.

Depois que a recrutadora entrevistou todos os candidatos chamou Isabel e começou o feedback tão esperado…. Mas para a sua surpresa, o feedback não foi sobre a sua performance no processo e sim sobre a sua aparência. Começou falando que ela nunca deveria usar a cor marrom (Isabel estava usando uma calça marrom e uma blusa preta), que o esmalte estava com uma cor muito clara, falou para usar vermelho e comentou sobre a maquiagem. Sugeriu que ela deveria usar batom e sombra mais escura. Isabel não quis abusar da maquiagem, pois a entrevista estava marcada para às 9h da manhã. E para fechar com chave de ouro comentou que ela não seria a escolhida porque estava gordinha.

Qual seria a sua reação se recebesse um feedback deste? Eu fiquei chocada e a Isabel também. Ela me relatou que ficou paralisada sem saber o que responder. Eu nunca tinha visto nada parecido na minha vida…. O entrevistador estava mais para personal stylist. Tem coisas que é melhor não fazer do que fazer mal feito, o estrago pode ser enorme. Isso pode ser encarado como bullying.

Tenho duas considerações sobre a postura desta empresa representada por esta pessoa que se diz recrutador:

1.      É muito constrangedor falar na frente do grupo quem foi escolhido para a próxima etapa. Por mais pressa que se tenha em fechar a vaga, hoje em dia dispomos de vários meios de comunicação como celular, WhatsApp e e-mail. Outra coisa, o processo seletivo perde a credibilidade quando uma pessoa é excluída e depois aparece para a próxima etapa.

2.      Este “feedback” que a Isabel recebeu só serviu para que ela ficasse muito mal com ela mesma. Feedback de entrevista de emprego é outra coisa, é ressaltar os pontos positivos e comentar quais os fatores ou gaps que impactaram negativamente. É uma situação muito delicada que a maioria das empresas optam por não fazer.

Às vezes é melhor dar um retorno padrão do que fazer um estrago deste. Recrutadores vamos ficar atentos a este tipo de postura. Do outro lado existe uma pessoa que tem sentimentos.

Você já passou por uma situação desta? Compartilha conosco.

PS: Estou trabalhando a autoestima da Isabel que ficou bem abalada.

Eliana Arruda é coach de carreira e idealizadora do Laboratório de Currículo. Possui mais de 20 anos de experiência como executiva de Recursos Humanos. Hoje compartilha a sua experiência auxiliando profissionais a se recolocar no mercado de trabalho através palestras, processos personalizados e Workshops.